quinta-feira, 12 de abril de 2018

ATTOMICA - The Trick


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Give Me the Gun
2. Feeling Bad
3. Kill the Hero
4. The Last Samurai
5. The Trick
6. Endless Cycle
7. Land of Giants
8. Mistery


Banda:


André Rod - Baixo, vocais
Marcelo Souza - Guitarras, backing vocals
Argos Danckas - Bateria, teclados


Ficha Técnica:

Vagner Alba - Produção, mixagem, masterização
Fábio Moreira - Artwork (capa)
Pyda Rod - Design de arte


Contatos:

Site Oficial: www.attomica.com
Youtube:
Bandcamp:
Google+: 
Assessoria: https://www.facebook.com/OverMetalAgency/ (Over Metal Agency)

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Bandas de longa carreira tendem, com o tempo, a aperfeiçoarem sua musicalidade. Isso ocorre pelas mudanças de formação, pela experiência de tocar ao vivo, e mesmo o melhor entendimento de como utilizar equipamentos para obter uma sonoridade mais robusta e adequada ao que a banda precisa. Por isso, bandas como o experiente ATTOMICA, de São José dos Campos (SP) conseguem fazer um trabalho de primeira, como “The Trick”, quinto e mais recente disco, nos mostra.

O agora power trio nos brinda com seu Thrash Metal bem trabalhado e com forte influência da escola da Bay Area (especialmente no MEGADETH em sua fase mais clássica, especialmente naquela compreendida entre “Peace Seels... But Who’s Buying?” e “Countdown to Extinction”), pelo lado técnico e com boas melodias, mas sem negar algumas sutilezas da escola alemã do gênero e mesmo do Metal tradicional. Bem trabalhado, fluindo com harmonias bem estruturadas, mas ainda assim agressivo, talvez possamos aferir que “The Trick” seja o ápice em termos de qualidade do grupo. E que se diga: a banda sabe criar partes musicais extremamente envolventes.

A produção sonora do CD é de ótimo nível. Tudo soa bem claro, com timbres instrumentais bem definidos (o baixo está bem audível, nos permitindo ouvir passagens bem técnicas, como em “Feeling Bad”, mas sempre com muito peso e agressividade, e atual (algo que muitos acabam errando sempre na busca desenfreada para soarem “old school”). Além disso, capa e design são muito bem feitos, fugindo um pouco dos velhos chavões.

Mantendo um equilíbrio muito bom entre energia, técnica e agressividade, o ATTOMICA mostra-se vivo e disposto a impor-se ainda mais dentro de um cenário musical tão disputado. Apesar dos mais de 30 anos de carreira, “The Trick” soa jovial e cheio de vida, e em nada repetitivo ou mesmo clichê. Se preparem!

Em oito ótimas canções, “The Trick” se projeta como um dos melhores discos de Thrash Metal do ano. A energia envolvente e crua de “Give Me the Gun” (ótimo nível técnico, com riffs de guitarra de muita qualidade), a peso-pesado “Feeling Bad” (baixo e bacteria estão ótimos, com boa técnica e alguns tempos não convencionais), o ritmo mais cadenciado e ganchudo de “Kill the Hero” e “The Last Samurai” (observem como os vocais lembram um pouco os timbres mais roucos de Dave Mustaine, embora com uma dicção melhor, em ambas), a técnica fluída e energia da longa “The Trick”, as belas melodias dos solos de guitarra em “Endless Cycle”, a técnica agressiva e espontânea da instrumental “Land of Giants”, e a explosiva “Mistery” com seu impacto bruto são canções que mostram que o trio superou a perda trágica de seu vocalista Alex Rangel (que tem uma participação póstuma em “Mistery”), e que continua firme e forte.

Ainda relevante, o Thrash Metal do ATTOMICA tem espaço não só no cenário, mas também nas coleções de todos os fãs de Metal do Brasil.

Nota: 88%

quarta-feira, 11 de abril de 2018

REVOLUTIO Signed for New Album “Vagrant”, Artwork and Studio Teaser Unleashed! / REVOLUTIO - Firma con Inverse Records e Dettagli Nuovo Album.


Revolutio promo pic by Patrizia Cogliati (Musicphoto) (free to publish)


ENGLISH:

Inverse Records are proud to announce the signing of Italian post-apocalyptic thrashers REVOLUTIO. The band will be releasing their new album “Vagrant” in fall 2018.

Revolutio‘s music is an evolution of thrash/groove metal infused with post-apocalyptic and introspective elements, and describes the decay of modern age and the rise of a new era of man.

The album has been recorded, mixed and mastered at Audiocore Studio (The Modern Age Slavery, Raw Power, Dark Lunacy). A clip from the recording sessions can be seen here: https://youtu.be/Uq-3BxBiyrs The artwork has been created by the Russian studio Mayhem Project Design.

ITALIANO: 
Inverse Records è lieta di annunciare l’ingresso in roster dei thrasher post apocalittici REVOLUTIO. Il loro nuovo album s’intitola “Vagrant” ed è atteso per l’autunno del 2018.

La musica dei Revolutio è un evoluzione del thrash/groove metal dalle tematiche introspettive e post-apocalittiche, che descrive il fallimento dell’era moderna e la nascita di una nuova età dell’uomo.

Di seguito un video delle registrazioni presso gli Audiocore Studio (The Modern Age Slavery, Raw Power, Dark Lunacy), che si sono occupati anche di mixing e mastering. L’artwork è opera dello studio russo Mayhem Project Design.




Album cover by Mayhem Project Design.

REVOLUTIO line-up:
Maurizio Di Timoteo – vocals, rhythm guitars
Luca Barbieri – lead guitars
Francesco Querzé – bass
Davide Pulito – drums

REVOLUTIO online:

INVERSE RECORDS online:


terça-feira, 10 de abril de 2018

STRYPER - God Damn Evil


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Take It to the Cross
2. Sorry
3. Lost           
4. God Damn Evil                 
5. You Don’t Even Know Me                      
6. The Valley             
7. Sea of Thieves                   
8. Beautiful               
9. Can’t Live Without Your Love                
10. Own Up              
11. The Devil Doesn’t Live Here


Banda:


Michael Sweet - Vocais, guitarras
Oz Fox - Guitarras, backing vocals
Perry Richardson - Baixo
Robert Sweet - Bateria


Ficha Técnica:

Michael Sweet - Produção
Matt Bachand - Vocais adicionais em “Take it to the Cross”
John O’Boyle - Baixo


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Existem aqueles que vivem encaracolados com lances de atitudes e “Metal Way of Life” (que já foi tão remendado e costurado em termos ideológicos que nem parece mais que falamos em música), e existem aqueles que se permitem prestar atenção somente na música. E seguramente, este segundo grupo é composto de pessoas capazes de se divertirem bem mais. E é justamente para eles que o quarteto STRYPER volta à carga com mais um disco excelente, “God Damn Evil”, seu mais recente lançamento.

Diferentemente de muitos grupos, o quarteto soube se atualizar, mesmo mantendo suas características musicais seminais. Ou seja, ainda temos o bom e velho Hard’n’Heavy bem trabalhado e melodioso de sempre, com ótimos refrões, instrumental privilegiado e belíssimo trabalho de vocais e backing vocals. Mas eles pegaram pesado em “God Damn Evil”, que vem agressivo e soando moderno, mas sem deixar de ser o bom e velho STRYPER que todos gostamos.

Sim, é isso mesmo: “God Damn Evil” é um arregaço de peso, agressividade e melodias bem feitas.

A produção caprichou, aliando timbres modernos e vibrantes com uma qualidade sonora clara e bem definida, e uma dose de peso absurda. Óbvio que aquele jeitão pegajoso dos anos 80, traço que eles sempre ostentaram em sua música, ainda está ali, alinhavando as harmonias do grupo. Ou seja: temos uma qualidade de som poderosa e moderna, mas mantendo a limpeza e com timbres instrumentais fortes (E isso mostra como Michael Sweet não é um produtor musical parado no tempo). E que capa bonita, digamos de passagem.

Podemos dizer que “God Damn Evil” é um disco que mostra o poder de fogo da banda, que foi rebuscar elementos agressivos de seus discos mais seminais, sem abrir mão de suas melodias pegajosas, e souberam fundir isso à uma sonoridade pesada e moderna. Além disso, os urros de Matt Bachand (SHADOWS FALL, ACT OF DEFIANCE) deram um toque extra de agressividade a “Take It to the Cross”, uma das faixas mais pesadas do disco. Mas existem tantas passagens maravilhosas, tantas melodias bem feitas... É difícil não gostar desse disco, pois nada nele é dispensável.

Para início de conversa, o disco já abre com a agressiva e moderna “Take It to the Cross”, que é um hardão pesado e envolvente, com riffs de guitarras à lá JUDAS PRIEST, mas que tem a pegada agressiva no refrão (também com esses urros guturais inesperados, não teria como ser diferente). Apesar da roupagem moderna, as linhas harmônicas de “Sorry” e “Lost” são do jeitão mais clássico e grudento do quarteto (mais uma vez, que aula de bases, solos e duetos de guitarras). E logo em seguida, tem  aquele hardão pesado e gostoso típico dos anos 80 permeando “God Damn Evil” (há uma leve influência de KISS que permeia a canção, especialmente por conta do trabalho peso-pesado de baixo e bateria). O jeito mais introspectivo e denso de “You Don’t Even Know Me” (o ritmo diminui em termos de velocidade, mas que peso e linhas melódicas) impacta o ouvinte, assim como na densa e também pesada “The Valley”. Já com um jeitão farofa de alto nível, “Sea of Thieves” vem parar grudar nos ouvidos e não sair mais (o Michael parece que não envelhece, pois que vozeirão!). Já com peso e atmosfera também oitentista, “Beautiful” vai lembrar os fãs mais antigos do início do U.S. Metal, especialmente pelo refrão. Em “Can’t Live Without Your Love”, temos uma power ballad pesada e bem feita, que impressiona a todos pelas guitarras com duetos fantásticos e pelas linhas vocais perfeitas. Outra com aquele jeitão Hard mais clássico, “Own Up” tem melodias simples, mas mantendo um peso forte (graças ao trabalho bem feito de baixo e bateria). E fechando, “The Devil Doesn’t Live Here” é uma pancada rápida e cheia de energia, ostentando um refrão de primeira e uma mescla de peso e agressividade de primeira.

Mantendo sua identidade e sabendo aprender com a experiência, o STRYPER chega com força para fazer de “God Damn Evil” um dos melhores discos de 2018. E mais uma lição dos mais experientes para os novatos.

Em tempo: John O’Boyle (que tocou nos dois últimos discos solo de Michael) gravou todas as linhas de baixo de “God Damn Evil”, sendo que o baixista que entrou depois das gravações é Perry Richardson, ex-FIREHOUSE.

Nota: 100+%





segunda-feira, 9 de abril de 2018

MAGNUM - Lost on the Road to Eternity


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD 1:

1. Peaches and Cream
2. Show Me Your Hands
3. Storm Baby
4. Welcome to the Cosmic Cabaret
5. Lost on the Road to Eternity
6. Without Love
7. Tell Me What You’ve Got to Say
8. Ya Wanna Be Someone
9. Forbidden Masquerade
10. Glory to Ashers
11. King of the World


CD 2 (2017 Live Versions):

1. Sacred Blood Divine Lies
2. Crazy Old Mothers
3. Your Dreams Won’t Die
4. Twelve Men Wise and Just


Banda:

Bob Carley - Vocais
Tony Clarkin - Guitarras
Al Barrow - Baixo
Rick Benton - Teclados
Lee Morris - Bateria


Ficha Técnica:

Tony Clarkin - Produção
Sheena Scar - Mixagem, masterização
Wolf Kerscher Studio Orchestra - Orquestrações
Wolf Kerscher - Arranjos (orquestrações)
Tobias Sammet - Vocais em “Lost on the Road to Eternity” (convidado)
Lee Small - Vocais em “King of the World”, “Without Love” e “Ya Wanna Be Someone” (convidado)
Dan Clark - Vocais em “King of the World” e “Without Love” (convidado)
Liam Doherty - Vocais em “Ya Wanna Be Someone” (convidado)
Louis Cope - Vocais em “Ya Wanna Be Someone” (convidado)
Rodney Matthews - Artwork (capa)
Al Barrow - Artwork (encarte, outros)


Contatos:

Instagram:
Bandcamp:
Google+:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Algumas bandas podem não ter sido gigantes do Metal e do Rock com o passar dos anos por muitos motivos. Mas quando travamos contato com a obra destes, nos interrogamos o motivo disso. E talvez um dos grupos que mais justifiquem esta afirmação é o quinteto inglês MAGNUM. Já com mais de 40 anos de atividade, eis que eles sempre fizeram ótimos trabalhos, sendo que o mais recente, “Lost on the Road to Eternity”, recém lançado no Brasil pela Shinigami Records, é excelente.

O quinteto trilha um caminho dentro do Classic Rock/Hard Rock bem pessoal, que muitas vezes chega a fugir dos rótulos e definições a que estamos acostumados. Partes de Progressivo, AOR, Hard Rock e outras coisas podem ser encontradas por todo o disco convivendo harmoniosamente (coisa de quem não dá bola à rótulos musicais).

Sem exageros técnicos, o grupo se foca em criar músicas com ótimas melodias, arranjos instrumentais ótimos, capazes de nos seduzir sem esforços. Temos a presença de teclados para dar um toque de classe, ótimo trabalho de guitarras, baixo e bateria criando uma base rítmica sólida e coesa, vocais de primeira, e tudo criando harmonias lindas, com backing vocals excelentes, refrões marcantes... Tudo que um bom fã de Classic Rock, e mesmo de boa música, quer.

Ou seja: se deixem emergir nessa aula de classe e bom gosto musical que o MAGNUM nos proporciona!

Em termos de sonoridade, é algo muito bem feito.

Podemos aferir que a qualidade sonora de “Lost on the Road to Eternity” associa a clareza e força da modernidade com o jeito clássico do grupo. Tudo está soando claro e limpo aos ouvidos, com sua devida dose de peso e agressividade, sempre com aquele jeitão encorpado do Classic Rock. Ou seja, eles suaram em estúdio para dar ao disco uma sonoridade diferenciada. E que capa legal e encarte bem feito.

Como dito acima, o MAGNUM vem de uma época em que rótulos não eram bem vindos, e que fazer boa música era o que mais importava. E mostrando a classe de quem sabe o que faz, a audição de “Lost on the Road to Eternity” é prazerosa, pois se um lado existe o feeling AOR acessível dos anos 70/80, de outro há a essência do Classic Rock que os confere elegância. E no meio é tanta influência diferente que o melhor é mesmo aproveitar das canções.

E que canções!

“Peaches and Cream” tem a classe do AOR associada ao jeitão agridoce do Hard clássico, mostrando guitarras muito boas associadas a um refrão de primeira. Um pouco mais acessível é “Show Me Your Hands”, recheada com ótimas partes de pianos e teclados, e sem mencionar a ambientação alto astral (e mais um refrão que não sai dos ouvidos). Transitando entre partes de uma bela power ballad, e metade senhor Classic Rock, “Storm Baby” é um hino que soa atual e vibrante (e que vocais bem colocados). A longa “Welcome to the Cosmic Cabaret” e seus mais de 8 minutos de duração mostram o quão versátil é o grupo, outro hino à lá Classic Rock/AOR que nos seduz com facilidade. Mesclado uma pegada cheia de energia com excelentes melodias, “Lost on the Road to Eternity” é faixa obrigatória graças aos belos arranjos de vocais (reparem bem nos backing vocals). Baixo e bateria com muito groove dão início à “Without Love” com sua vibração clássica e acessível. Mais teclados criativos à lá AOR anos 80 permeiam as linhas melódicas cheias de energia de “Tell Me What You’ve Got to Say”, enquanto “Ya Wanna Be Someone” vai lembrar os fãs mais antigos daquela pegada comercial irresistível das canções de comerciais de cigarros lá dos anos 80. “Forbidden Masquerade” se mostra um pouco mais introspectiva devido aos tempos não muito acelerados e outros momentos limpos, mostrando a criatividade da banda. Um belo solo de guitarra adorna o início limpo e terno de “Glory to Ashers”, outra com tempos lentos e uma ambientação melódica perfeita (algo que trará lágrimas aos olhos dos mais veteranos). E fechando, uma classe próxima ao Progressivo/Hard Rock é percebida em “King of the World”, que mostra belíssimos vocais e backing vocals, que ganham vida nos momentos de crescendos.

E de bônus, ainda temos no CD 2 quatro faixas ao vivo, velhos hinos do grupo. “Sacred Blood Divine Lies”, “Crazy Old Mothers”, “Your Dreams Won’t Die” e “Twelve Men Wise and Just” mostram não só como o quinteto tem força nos shows, mas que sua música não envelhece. E assim, nos permite perceber como o ontem e o hoje são consensuais, e assim, o trabalho deles é sempre excelente.

É... 2018 é mesmo o ano dos velhinhos...

Nota: 100%

OUTLAW - Path to Darkness


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Darkness Corners
3. Path to Darkness
4. Mahapralaya
5. Death Blow
6. Kali Yuga
7. Cursed Blood
8. The Somberlain (Dissection Tribute)


Banda:


D. - Guitarras, vocais
B. - Baixo
C. - Bateria


Ficha Técnica:

Daniel Souza - Produção, mixagem, masterização
Marcelo Augusto - Artwork (capa)
Heverton Souza - Vocais e backing vocals em “Kali Yuga”
Paulo Furtado - Guitarra base em “The Somberlain”


Contatos:

Site Oficial:
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Youtube:
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Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Todos sentem falta de uma banda ou período específico de tempo. É algo associado ao momento que passamos com lembranças carinhosas e que ficam associados à música que um determinado grupo fez ou faz. E assim, uma banda jovem pode se erguer e levar o legado de outra que acabou adiante, sem soar como uma cópia. E o trio paulista OUTLAW se encaixa bem nessa definição, como se pode ouvir em seu primeiro álbum, “Path to Darkness”, que a Heavy Metal Rock acaba de pôr nas lojas.

O grupo foca suas energias na criação de um Black/Death Metal soturno e construído com excelentes melodias, e mesmo partes limpas e introspectivas surgem em alguns momentos. Óbvio que esta descrição nos mostra que uma das maiores influências deles é o finado DISSECTION, sem que o trabalho do grupo soe como uma cópia. Longe disso. Existe a influência, mas existem nuances musicais em “Path to Darkness” que eles têm personalidade forte. E se chegam com um disco de estréia nesse nível, o futuro é promissor.

Sim, mesclando melodias soturnas com agressividade, o OUTLAW mostra que é um nome que veio para ficar.

A produção tem sua dose de crueza orgânica evidente, sem que se perca a noção de clareza musical. Essa sonoridade mais crua resgata aquela velha atmosfera de meados dos anos 90, mas sem negar que é um disco gravado recentemente. Tudo busca ser o mais visceral e próximo do feeling “ao vivo” possível, mas mesmo assim, com um resultado muito bom, com suas doses certas de peso e clareza musical. E a arte é realmente bem simples, com capa em preto e branco, encarte com as mesmas cores, e fotos em tons escuros de preto, branco e cinza. Realmente, bem raiz mesmo.

Pode-se dizer que o OUTLAW tem um trabalho realmente muito bom, e não deixa aquele Death/Black Metal melodioso e bem arranjado dos anos 90 se perder nas areias do tempo. E realmente eles mostram que vieram não para serem imitadores do DISSECTION, mas para resgatar essa sonoridade tão preciosa, e sem que percam sua personalidade no processo. E se preparem, pois mesmo alguns solos de guitarra bem melodiosos (recurso pouco usado pelas bandas do gênero) estão presentes.

“Path to Darkness” é um disco maravilhoso, que mostra vitalidade e energia de sobra. E canções como a bem trabalhada “Darkness Corners” com suas melodias soturnas (e que guitarras de primeira), os tempos mais soturnos e fúnebres de “Path to Darkness” (baixo e bateria mostram um trabalho bem interessante) e “Mahapralaya” (os vocais realmente são bem encaixados), as belas melodias de “Death Blow” e “Kali Yuga” (os contrastes dos vocais são ótimos, sem mencionar os riffs simples e certeiros). Mas além delas, a versão do grupo para o hino “The Somberlain” está perfeita, sem descaracterizar a original, mas pondo uma vibração toda deles na canção.

Verdade seja dita: “Path to Darkness” vem para mostrar que o OUTLAW ainda tem muito para render. E que por estarem rebuscando um estilo que está tão fora de voga, merecem aplausos, pois mostram que podem ser criativos sem serem originais.

Ótima banda.

Nota: 83%

ENCÉFALO - DeaThrone


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Echoes from the Past
3. Visceral Sadism
4. Annihilation Contempt to the Majesty
5. Blessed by the Wrong Choice
6. Hell
7. These Final Rotten Days
8. Food for Tyranny
9. Retaliation
10. A Hollow Body


Banda:


Henrique Monteiro - Baixo, vocais
Lailton Souza - Guitarras
Rodrigo Falconieri - Bateria


Ficha Técnica:

André Noronha - Produção, guitarra solo em “Hollow Body”
Ygor Nogueira - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Bandcamp:
Google+:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/encefalo (Metal Media)

E-mail: bandaencefalo@gmail.com

Texto: Marcos Garcia


Já é de conhecimento de todos que o Nordeste do Brasil é uma região que sempre revela bons nomes em termos de Metal nacional. E não é de admirar que discos que merecem aplausos venham de lá. Do Ceará, o experiente ENCEFALO vem com seu terceiro disco, “DeaThrone”, lançado pelo Shinigami Records.

Originalmente voltado a um formato Thrash Metal mais bruto, o trio veio mais extremo ainda em “DeaThrone”. O nível de brutalidade faz com que o grupo soe como um híbrido do Death Metal mais tradicional com alguns “inserts” de Thrash Metal. Se não chegou a descaracterizar o que já haviam feito em seus dois discos anteriores, mostra uma banda dinâmica e disposta a avançar para o futuro conforme suas próprias convicções. Mas ao mesmo tempo, o aprofundamento do lado Death Metal da banda lhes dá mais peso, uma expressividade mais pessoal.

Em termos de qualidade sonora, “DeaThrone” é o disco mais bem produzido do trio. Acabado. A timbragem dos instrumentos e a captação sonora em estúdio ficaram excelentes, com cada detalhe com sua devida evidência. Mas a carga de peso e agressividade está em ótimo nível, sem que a clareza seja afetada negativamente. Além disso, a parte gráfica ficou muito boa, com uma capa bem feita, e encarte mais simples e direto em sua apresentação (mas que sempre rende bons frutos).

O ENCÉFALO realmente começa a mostrar o quanto é relevante em seu estilo, mostrando mais e mais uma identidade bem definida. Seu Death/Thrash Metal soa personalizado e nada repetitivo, ou “mais do mesmo”. Além disso, a banda cada vez mais mostra arranjos musicais ótimos e um acabamento estético bem pensado em cada uma de suas composições.

“DeaThrone” é um disco muito bom do início ao fim, com 9 faixas de primeira qualidade.

Melhores momentos: a golfada de brutalidade e técnica mostrada em “Echoes from the Past” (baixo e bateria mostrando uma técnica ótima, com boas mudanças de ritmo), o arsenal de ótimos riffs mostrado em “Visceral Sadism”, o contraste de partes rápidas e os momentos mais cadenciados de “Annihilation Contempt to the Majesty” (como as variações rítmicas da banda estão de alto nível), a curta faixa instrumental “Hell” e suas guitarras, o “approach” brutal e opressivo de “Food for Tyranny” (bom trabalho dos vocais), e a bem trabalhada e cheia de detalhes fascinantes (como partes soturnas com guitarras limpas) “A Hollow Body” (alguns riffs são realmente cheios daquela energia cativante do Thrash Metal).

O ENCÉFALO já não cabe mais no Brasil, e com “DeaThrone”, eles não só provam isso, mas que também que este disco é a resposta aos que teimam em achar que não se produz Metal de qualidade por aqui (coisa que só alguns setores entre os headbangers brazucas têm a ousadia de dizer).


Nota: 90%


terça-feira, 3 de abril de 2018

ANVIL - Pounding the Pavement


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Bitch in the Box
2. Ego
3. Doing What I Want
4. Smash Your Face
5. Pounding the Pavement
6. Rock That Shit
7. Let It Go
8. Nanook of the North
9. Black Smoke
10. World of Tomorrow
11. Warming Up
12. Don’t Tell Me (bonus track)


Banda:

Lips - Vocais, guitarras
Christ - Baixo, backing vocals
Robb Reiner - Bateria


Ficha Técnica:

Anvil - Produção
Jörg Uken - Produtor, masterização
Christoph Schinzel - Capa, direção de arte
Martina Lo Volt - Vocais adicionais


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Quanto mais o tempo passa, maior a impressão que os nomes do passado, com raras exceções, andam caprichando e fazendo discos muito bons. Talvez o acúmulo de bandas novatas que se intitulam Old School seja o motivo, já que a maioria apenas tenta vestir como novo os clichês que já foram exauridos há muitos anos. Por isso, velhos Juggernauts do Metal como o ANVIL ainda são relevantes, e merecem respeito e espaço. E os canadenses desceram a marreta em “Pounding the Pavement”, seu mais recente disco, que a Shinigami Records acaba de lançar por aqui.

Para início de conversa: melhor não comparar “Pounding the Pavement” com os clássicos “Metal On Metal” ou “Forged in Fire”. Chega a ser um desrespeito enorme com eles, e saudosismo de cada um. O disco novo tem canções que são ótimas se pararem de olhar o passado, mesmo porque o trio soube se atualizar, mantendo o bom e velho Hard’n’Heavy de tantos anos intacto, com aquela mesma energia vigorosa de sempre. E mesmo não sendo uma obra-prima, mostra que a constância de qualidade dos últimos discos se mantém a mesma.

Com um disco tão cheio de energia, óbvio que existiu a necessidade de uma sonoridade construída para extrair o melhor do grupo. E eles tiveram, pois tudo soa limpo e bem definido, com uma timbragem bem equilibrada, mas com sua dose de peso correta. Além do mais, o que se ouve em “Pounding the Pavement” tem jeito de funcionar muito bem ao vivo.

Na arte, o capricho de sempre, sem exagerar demais. A velha bigorna está ausente, mas em compensação vê-se a guitarra como britadeira, capaz de rachar o concreto, em uma analogia com o peso do disco.

As guitarras continuam cuspindo riffs que grudam nos ouvidos e solos melodiosos, o rosnado característico de Lips continua seco e forte, o baixo de Christ pulsa dando o devido peso ao grupo, mas falar de Robb Reiner chega a ser difícil. O homem é uma referência na bateria para toda uma geração, e se percebe em suas conduções e viradas toques geniais. A cola que junta tudo são as melodias de fácil assimilação, além dos arranjos simples, mas dando o devido acabamento às canções.

O disco é todo muito bom, mas músicas como a pesada e arrastada “Bitch in the Box” (que acaba viciando o ouvinte, graças ao refrão simples e os riffs envolventes), aquele Rock ‘n’ Roll pesado e sujo à lá MOTORHEAD de “Ego” (reparem como baixo e bateria mantém um peso incrível), a direta e opressiva “Doing What I Want”, o peso opressivo e lento de “Smash Your Face” (os vocais são ótimos, junto com as guitarras fazendo aquele fundo arrastado e denso, no estilão do hino “Forged in Fire”), o jeito atual e pesado de “Pounding the Pavement” (uma instrumental que une o passado e o presente sem causar traumas), a sujeira divertida de “Rock That Shit” e de “Black Smoke”, e o jeito descompromissado e clássico de “Warming Up” (que aula de bateria!). E de bônus, a pesada “Don’t Tell Me” vem fechar o disco que atesta que o ANVIL continua vivo e vibrante.

Embora longe de ser um novo clássico (como dito acima), “Pounding the Pavement” vem para mostrar às bandas jovens que os coroas estão com sangue nos olhos!


Nota: 86%